Como Fazer Transferência de Idoso com Alzheimer que Dobra os Joelhos ou Joga o Corpo para Trás (Paratonia)

Como Fazer Transferência de Idoso com Alzheimer que Dobra os Joelhos ou Joga o Corpo para Trás (Paratonia)
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 Uma das maiores reclamações de cuidadores familiares de idosos com a Doença de Alzheimer avançada é a dificuldade extrema na hora de movimentá-los. 

É muito comum ouvir relatos desesperados como: "Meu pai parece que pesa uma tonelada na hora de levantar", "Minha mãe flexiona os joelhos e me empurra na hora de levantar" ou "Ele simplesmente joga o corpo para trás e não ajuda em nada". 

Muitas vezes, o cuidador fica exausto e chateado, achando que o idoso está se recusando a levantar por teimosia ou pirraça. 
No entanto, para cuidar com segurança de um idoso com Alzheimer avançado que desenvolveu paratonia, precisamos primeiro entender a raiz neurológica desse problema.

1. O que é a Doença de Alzheimer e o Avanço dos Sintomas

A Doença de Alzheimer é uma condição neurodegenerativa progressiva que destrói lentamente as células cerebrais. 
Embora seja mais conhecida pela perda de memória nas fases iniciais, o avanço da doença compromete áreas profundas do cérebro responsáveis pelo controle dos movimentos, pelo equilíbrio e pela regulação do tônus muscular. 
À medida que o Alzheimer evolui para o estágio avançado, o córtex motor sofre lesões severas. É nesse período que o idoso começa a perder a funcionalidade da marcha, ou seja, a capacidade de andar sozinho e passa a manifestar alterações motoras graves. Entre esses sintomas físicos ocultos, um dos mais desafiadores e menos discutidos com as famílias é o surgimento da Paratonia. 

2. O que é paratonia e como ela dificulta os movimentos

A paratonia é uma alteração do tônus muscular de origem neurológica, caracterizada pela incapacidade do paciente de relaxar os músculos voluntariamente. 
Trata-se de uma reação física totalmente involuntária causada pelas lesões cerebrais em estágios avançados da doença de Alzheimer. 
Na prática da rotina, a paratonia funciona como uma força contrária ao movimento que você quer executar. Nem todos os idosos reagem da mesma forma, e ela costuma se manifestar de duas maneiras principais: 
  • O idoso que joga o corpo para trás: Ao tentar fazer com que ele se incline para a frente para ganhar impulso, ele te empurra com os braços e joga o tronco para trás, rígido como uma tábua. 
  • O idoso que flexiona as articulações: Ao tentar colocá-lo de pé, ele flexiona os joelhos e, com o avanço do quadro, passa a flexionar também o quadril, como se as pernas desabassem. 
Tudo isso acontece de forma totalmente involuntária. Essa resistência gera no cuidador a falsa percepção de que o idoso está muito mais pesado do que realmente é. Não é pirraça do idoso com Alzheimer: é a Paratonia agindo. Quanto mais força você faz para puxá-lo para fazer a transferência de posição, mais o corpo dele trava. 

3. O que é Transferência e Quando Utilizá-la

No jargão da saúde, transferência é o ato de deslocar o paciente de uma superfície para outra, ou seja, mudar o idoso da cama para cadeira de rodas, da cadeira de rodas para a cadeira de banho, etc.. A transferência exige a mudança de base de apoio. 
Você precisará utilizar as técnicas de transferência diariamente em diversos momentos, tais como passar o idoso da cama para a cadeira de rodas, ou movimentá-lo para a cadeira de banho e vaso sanitário. 
Realizar essas mudanças sem técnica destrói a coluna lombar do cuidador e pode provocar lesões articulares, estiramentos e dores terríveis no próprio idoso. 

4. Qual a Melhor Forma de Fazer a Transferência com Paratonia

Para vencer a barreira da rigidez muscular sem usar a força bruta, o segredo está em aliar a técnica perfeita de travamento corporal ao uso de acessórios específicos de mobilidade. 

  • A Técnica Manual de Travamento Corporal (Passo a Passo)

Para realizar a transferência do idoso com paratonia e bloquear as reações involuntárias de flexão e extensão, use esta manobra biomecânica: 
  1. Trave os Joelhos: Posicione os seus próprios joelhos colados bem na frente dos joelhos do idoso. Isso cria um bloqueio mecânico firme que evita que ele flexione as pernas e desabe na hora de ficar em pé. 
  2. Estabilize o Quadril e a Coluna: Posicione as suas mãos firmemente abaixo da coluna lombar do idoso. Isso impede que ele flexione o quadril e jogue a coluna para trás, dando a sustentação necessária para puxá-lo para cima e colocá-lo de pé usando o peso do seu próprio corpo como alavanca. 

Relato real: Antes de conhecer a técnica manual de travamento corporal,  um dos momentos mais difíceis no cuidado de minha mãe com Alzheimer avançado era colocá-la em pé para realizar a transferência. Parece que ela quadruplicava de peso devido à resistência contrária ao movimento que o corpo dela impõe de forma involuntária. Eu tentava colocá-la na posição de pé, e o corpo dela reagia em defesa flexionando o joelho, e com o avançar do quadro também começou a flexionar o quadril. Essa força contrária joga o corpo dela para baixo e eu tentava empurrá-la para cima para ficar de pé. Então, se você não usar a técnica correta de travar o joelho e quadril, você lesiona a  sua coluna e não consegue colocar o  idoso de pé. Seguindo a técnica acima, você vai conseguir fazer a transferência sem gastar tanta energia e também vai poupar sua coluna, e reduzir o desgaste físico do próprio idoso durante a transferência.

5. Os 4 Melhores Acessórios de Apoio para o Cuidador

Se você quiser tornar essa manobra muito mais leve, ergonômica e segura, existem quatro acessórios no mercado:
  • 1. Cinto de Transferência Acolchoado com Alças: Um cinturão firme colocado ao redor da cintura do idoso. As alças dão o ponto de pegada perfeito para as suas mãos na hora de estabilizar a lombar do paciente, evitando puxá-lo pelas axilas.
  • 2. Tábua de Transferência Rígida: Uma "ponte" lisa que permite o idoso deslizar da cama para a cadeira de forma sentada, eliminando a necessidade de erguê-lo no ar.
  • 3. Cadeira de transferência Hidráulica: Este é um dos recursos mais modernos, práticos e revolucionários para o home care atual. Ela funciona com um sistema de assento dividido que se abre em 180 graus pelas costas do paciente. Isso permite que o cuidador posicione a cadeira na frente do idoso sentado na beira da cama, feche as duas metades do assento sob o quadril dele e trave o cinto de segurança, sem precisar erguer o idoso no ar em nenhum momento.  Com rodinhas giratórias de silicone e estrutura totalmente à prova d'água, esse equipamento multifuncional serve também como cadeira de banho e encaixa perfeitamente acima do vaso sanitário doméstico. Ela elimina até quatro transferências pesadas por dia, zerando o esforço físico e protegendo a coluna de quem cuida.
  • 4. Guincho Hospitalar (O Elevador de Pacientes): Conhecido como "guindaste hospitalar", é o investimento definitivo para as fases em que o idoso está totalmente acamado ou quando o cuidador trabalha sozinho. Ele eleva o paciente no ar por meio de uma cesta de lona e braço hidráulico, zerando o esforço físico de quem cuida. 

4. Dicas Práticas de Manuseio: O Segredo da Base e do Tempo

  • Estabilizar os Pés para Acalmar o Cérebro (Propriocepção): Este é um dos maiores segredos do cuidado. O cérebro do idoso com Alzheimer avançado vive em um estado constante de desorientação e medo de quedas. Se você tenta levantar o idoso sem dar estabilidade, a mente dele entra em pânico e dispara a paratonia como um reflexo involuntário de sobrevivência.

 Como aplicar: Antes de fazer qualquer força, coloque as solas dos pés do idoso de forma firme, plana e alinhada no chão. Estabilize a base dele e espere alguns segundos até que ele se acalmar. Ao sentir o pé no chão firme, o sistema nervoso do paciente recebe um estímulo tátil de segurança: "Estou tocando o chão, estou segura, não vou cair". Esse simples momento de pausa desarma o reflexo de defesa, fazendo com que os músculos relaxem e a transferência aconteça de maneira infinitamente mais leve.

  • Esqueça a Força Bruta: Se você puxar com força ou pressa, o músculo dele vai travar com o dobro de intensidade. Se sentir resistência, pare, relaxe o braço do idoso e recomece com calma.
  • Comunicação e Toque Firme: Avise exatamente o que vai fazer em tom de voz manso e tranquilo. Toques leves demais que causam cócegas ou movimentos bruscos assustam e disparam o reflexo de defesa do cérebro dele. 

📦 Onde Encontrar os Acessórios de Transferência?

 


1.Cinto de Transferência com Alças

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2. Tábua de Transferência Madeira 

3. Cadeira de transferência Hidráulica Ajustável 

 4. Guincho Hospitalar P/ Pacientes Acamados 


📚 Referências Bibliográficas:

  • Manejo da Paratonia na Demência Avançada: European Journal of Pain (2022). Diretrizes clínicas comprovando que dores osteoarticulares não diagnosticadas (como lesões ligamentares decorrentes de transferências incorretas) são as causas primárias de agressividade defensiva em idosos com demência. 
  • Biomecânica do Cuidado e Proteção da Coluna: The Gerontologist (2023). Estudo sobre a eficácia de dispositivos de assistência (cintos, tábuas e guinchos) na redução de lesões lombares em cuidadores familiares de pacientes com rigidez muscular severa. 
Carla da Silva Pontes

Conteúdo informativo sobre segurança, mobilidade e qualidade de vida para idosos. Não substitui a orientação de médicos e outros profissionais de saúde.

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